No Brasil, é recorrente o argumento de que "os criminosos são vítimas" do sistema, partindo de uma influência das estruturas sociais e econômicas, e não das escolhas individuais. Esse tipo de interpretação vem da lógica de que a realidade social deve ser explicada pelo contexto material em que os indivíduos estão inseridos.
O artigo A Lógica do Assalto argumenta que "há uma demonização da lógica, o que impede que se busque o entendimento racional do fenômeno do assalto, o que não significa que quem analisa esteja defendendo o criminoso".
A crítica marxista, por exemplo, interpreta a moral, as leis e as regras como construções das relações de produção, considerando que "a classe dominante cria uma estrutura para dominar a classe operária".
Nessa perspectiva, segundo o artigo, os neoclássicos fomentam o "ter", ou seja, o acúmulo de bens, e não o "ser". Assim, o assalto seria parte integrante do sistema, já que a classe trabalhadora foi expropriada dos meios de produção e é explorada para gerar lucros aos capitalistas, sendo o bem a materialização do trabalho.
Contudo, a análise não afirma que o crime seja moralmente correto, mas que "o assalto é parte do sistema capitalista". Os criminosos, que subtraem patrimônio protegido por leis, agem de acordo com os incentivos do sistema. Movidos pelo desejo de ter, o crime torna-se "inevitável" dentro dessa lógica.
Essa conclusão só faz sentido se forem aceitos os pressupostos de uma realidade material, na qual "as ideias, a religião, a moral, as leis e os costumes são consequências da dinâmica das relações de produção".
Para idealistas ou perspectivas morais universais, os criminosos permanecem culpados por não agir de acordo com o bem, que não depende das relações materiais. A crítica marxista, por seu lado, encara a ideia de bem moral como "uma invenção da classe dominante para manter o poder, resultado de um determinismo material".
Dessa forma, seguindo essa lógica, “o sistema é o grande culpado, e todos são suas vítimas”. A interpretação racional, quando dominada por essa narrativa, transforma o crime em consequência natural do sistema, e não de inclinações individuais.
Porém, na perspectiva cristã, a análise moral parte da existência de absolutos morais estabelecidos pelo próprio Criador. Essa visão não elimina os incentivos gerados pelas relações materiais ou pelo conjunto de leis, uma vez que os indivíduos podem ser influenciados positiva ou negativamente por eles, mas localiza na vontade, que atua conforme aquilo que se deseja, a inclinação moral.
Assim, a análise do ato depende dos pressupostos adotados ou da base teórica assumida. Cristãos e idealistas não compreendem o sistema como o grande agente moral, derivado do desejo de uma classe dominante, pois partem de verdades fundamentais que conduzem a conclusões distintas das formuladas pela interpretação materialista acerca da lógica do assalto.
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